Cacique da BA critica ministra Guajajara e pede mudanças nos órgãos indígenas federais

Coordenador-geral do Miba (Movimento Indígena da Bahia) e uma das principais lideranças dos povos originários no estado, o cacique Zeca Pataxó pede “mudanças efetivas” nos órgãos federais que lidam com o tema.

Isso poderia incluir até a troca da ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, que vem sendo acusada de ineficiência em ações como a proteção aos yanomamis.

“A gente cansou de ter reunião com o Ministério dos Povos Indígenas e não ter resultado. Mudanças são necessárias. Se quiser fazer no comando do ministério, não temos nada contra, até porque não colocaram ninguém da Bahia lá”, disse ao Painel.

Segundo o Censo divulgado no ano passado, a Bahia é o segundo estado com maior população indígena do país, com 230 mil pessoas, atrás apenas do Amazonas.

Em 17 de janeiro, o cacique enviou uma carta a Lula em que aponta problemas na proteção aos indígenas e na assistência de saúde no estado.

“Percebemos uma conjuntura desfavorável nos órgãos responsáveis pela gestão dos assuntos indígenas, como o Ministério dos Povos Indígenas, a Sesai [Secretaria de Saúde Indígena] e a Funai. Infelizmente, constatamos que não houve avanços significativos no ano de 2023. Diante dessa realidade, o Miba vem solicitar a sua atenção para a situação emergencial dessas comunidades e para a necessidade de promover mudanças efetivas nos órgãos mencionados”, diz a carta ao presidente.

Além disso, num áudio enviado a outros indígenas da Bahia, o cacique diz que “nosso povo está sendo atacado, tem diversas lideranças ameaçadas, passando por situações difíceis”.

Em 21 de janeiro, uma indígena pataxó no estado foi morta com um tiro disparado pelo filho de um fazendeiro.

Ele aponta também precariedade no atendimento à saúde, citando falta de medicamentos e macas, postos de saúde acabados e carros sem combustível para rodar.

No áudio, o cacique diz ainda que não se pode poupar o governo Lula de críticas, mesmo se ele for considerado um aliado.

“Não podemos aliviar, não importa se está no ministério uma indígena, não importa se está na Sesai um indígena, não importa se está na Funai uma indígena. E se não estiver resolvendo os problemas, vamos pedir realmente para sair, pedir ao presidente Lula que faça as mudanças, que resolva os problemas dos povos indígenas”, afirma.

Não é a primeira crítica à gestão Guajajara vinda de indígenas. Em 12 de janeiro, o ativista Daniel Munduruku acusou a ministra de apenas se preocupar com festas e viagens em vez de dar atenção a questões como a do povo yanomami.

Procurado, o ministério não se manifestou até a publicação deste texto.

Fábio Zanini, Folhapress

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