
O governo federal solicitou garantias formais de rastreabilidade do cacau exportado pela Costa do Marfim ao Brasil após identificar indícios de possível triangulação do produto. A suspeita envolve a entrada de amêndoas oriundas de países vizinhos que não possuem autorização sanitária para vender ao mercado brasileiro.
O pedido foi feito pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em ofício encaminhado ao governo marfinense nesta semana. No documento, a diretora do Departamento de Sanidade Vegetal, Edilene Cambraia Soares, solicita que a autoridade local detalhe as medidas adotadas para assegurar a origem do cacau.
“Solicitamos que a Diretoria de Proteção, Controle e Qualidade de Plantas declare formalmente as garantias que a República da Costa do Marfim oferece quanto à rastreabilidade dos grãos de cacau exportados para o Brasil”, diz o ofício.
A pasta suspendeu temporariamente a importação do produto após pressão de produtores da Bahia e do Pará, que apontam queda nos preços internos e riscos fitossanitários com a entrada do cacau estrangeiro.
Segundo o governo, há preocupação com a possível mistura de amêndoas vindas da Libéria e da Guiné — países que não têm requisitos fitossanitários definidos para exportação ao Brasil. A avaliação foi reforçada por informações da Embaixada do Brasil na Costa do Marfim, repassadas ao Ministério das Relações Exteriores.
O Itamaraty apontou ainda possíveis distorções na política de preços do cacau marfinense, que teriam incentivado a entrada de grandes volumes do produto vindos de nações fronteiriças e a formação de estoques nos portos locais.
Fonte: Portal Bahia.