
O que estaria por trás das duas derrotas sofridas pelo governo em menos de 30 dias, em votações de interesse do Executivo na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), pode ser o chamado “efeito Rowenna”. A avaliação foi feita por um deputado da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), em conversa reservada ao site Política Livre.
Na última terça-feira (5), mesmo após mobilização da presidente da Assembleia, Ivana Bastos (PSD), e do líder do governo, Rosemberg Pinto (PT), a bancada governista não conseguiu reunir o quórum mínimo de 32 parlamentares para votar o regime de urgência do 24º pedido de empréstimo encaminhado pelo Executivo, no valor de R$ 5,5 bilhões, registrado em outra votação recente e acendendo um alerta dentro da base aliada em pleno ano eleitoral.
Nos bastidores, deputados governistas admitem que há um ambiente crescente de insatisfação política. Um dos principais pontos de desgaste seria a condução da Federação Brasil da Esperança durante a janela partidária.
“Existe sim uma insatisfação, isso é público e o próprio Política Livre já noticiou. A forma como foi conduzida a entrada de deputados na federação, numa decisão tomada de cima para baixo e ignorando os deputados que já fazem parte do grupo, é uma delas. Tivemos uma reunião recentemente com o secretário Loyola e a nossa bancada e a insatisfação foi geral”, afirmou um parlamentar da base.
Outro fator apontado é o fortalecimento político da ex-secretária estadual da Educação Rowenna Brito, vista internamente como uma das candidaturas prioritárias do grupo governista para deputada estadual em 2026. Segundo um deputado petista ouvido pela reportagem, o tema foi abordado em recente reunião de líderes na Assembleia.
“Simbolicamente, Rowenna é a candidata favorita de Jerônimo, mas politicamente ninguém afirma isso publicamente. Temos informações de que está havendo assédio a diretores, trabalhadores terceirizados e coordenadores de núcleos territoriais em várias regiões do Estado. O uso da máquina da Educação é evidente e as queixas estão chegando à Serin”, afirmou o parlamentar, sob reserva. Ele também completou que não concorda com o assédio aos trabalhadores, que são profissionais concursados.
Como mostrou o Política Livre na edição de quarta-feira (6), as mudanças promovidas no segundo escalão após a reforma administrativa do governo agravaram a tensão entre deputados aliados e lideranças do PT, sobretudo diante de reclamações sobre descumprimento de acordos políticos nos territórios e favorecimento de determinadas pré-candidaturas.
Questionado após a sessão da última terça-feira (5) sobre a possibilidade de haver parlamentares “jogando contra” o governo, o líder governista Rosemberg Pinto negou qualquer movimento de rebelião na base.
“Não acho que tenha alguém jogando contra. O governo tem a obrigação de formar maioria no plenário, a oposição fez o papel dela e usou o regimento. Nós temos que ter 32 deputados e deputadas presentes na sessão. Inclusive, vou conversar com o governador e com os parlamentares para entender as motivações, já que alguns estavam na Assembleia e não desceram para votar”, declarou.
Por Carine Andrade, Política Livre.