Entrevista – José Ronaldo: “Vou esgotar todas as possibilidades de conversas para estarmos unidos em Feira”

O ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo de Carvalho (União) só pretende tomar uma decisão sobre se vai novamente concorrer ao comando da Princesinha do Sertão até o início do ano que vem. Entretanto, nessa entrevista exclusiva ao Política Livre, ele deixa claro que tudo caminha no sentido de que irá novamente aceitar o desafio, diante do que tem ouvido das ruas e dos correligionários políticos.

José Ronaldo diz que pretende dialogar com todos os aliados do grupo da oposição ao PT e esgotar as conversas até fevereiro do ano que vem. Isso inclui o deputado estadual Pablo Roberto (PSDB), que se lançou na semana passada a pré-candidato a prefeito. O ex-gestor, principal aliado de ACM Neto (União) no segundo maior município do Estado, lembra que, no pleito de 2020, houve divisão dos adversários petistas e a eleição só foi decidida no segundo turno.

O ex-prefeito de Feira economiza nas palavras quando o assunto é a eleição de 2022, quando foi preterido na chapa de ACM Neto, na qual sonhava sair candidato ao Senado ou à vice, que acabou preenchida pela empresária Ana Coelho. Ele garante que isso foi superado e ficou no passado. José Ronaldo fala ainda como seria a relação com o governo Jerônimo Rodrigues (PT) caso dispute e vença a disputa de 2024.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Política Livre – A pergunta que não quer calar: o senhor será candidato novamente a prefeito de Feira de Santana?

José Ronaldo – Só vou tomar essa decisão em janeiro. No momento estou conversando, dialogando com as pessoas, com os amigos, andando em Feira de Santana. Estou refletindo sobre isso, avaliando o cenário.

O que vai ser preponderante para sua posição? O apoio de lideranças e partidos?

Ouvir as pessoas, a sociedade. Eu fui convidado para ser candidato a prefeito pela primeira vez em 1988 pelo então prefeito José Falcão da Silva e agradeci muito na oportunidade em que era deputado estadual de primeiro mandato, mas não aceitei. Em 1996, fui novamente convidado a ser candidato a prefeito pelo então governador Paulo Souto (União) e pelo então senador ACM e não aceitei. Em 2000, eu já era deputado federal e ouvia muito o povo nas ruas me convidando para ser candidato a prefeito e aí eu aceitei porque era uma coisa que estava vindo da sociedade. Nada contra as pessoas que me convidaram antes, muito pelo contrario, mas estava vindo da sociedade e fui candidato em 2000 e fui eleito. Em 2004, fui eleito novamente com um percentual de votos maior e, em 2012, maior ainda, o mesmo se repetindo em 2016. Aí fui candidato a governador em 2018 e os anos foram se sucedendo. Eu estou fazendo um processo muito de escuta, participando de todo tipo de evento, de reuniões políticas. A receptividade tem sido muito boa, e não é diferente do que acontecia no passado. Acho que tem estimulado. Claro que ouvir líderes, partidos políticos, pessoas da política da zona rural e da zona urbana também é um processo importante. Eu acho que o nosso grupo político em Feira unido tem chances de vitória. Então, tenho que ter calma.

“Em nosso grupo sempre existiu a união. Só aconteceu algo diferente em 2022”

Acha que vai haver união das oposições ao PT em Feira ou pode ocorrer algo semelhante a 2020, quando surgiram vários candidatos e a eleição do seu aliado e atual prefeito Colbert Martins (MDB) só foi decidida no segundo turno?

Em nosso grupo sempre existiu a união. Só aconteceu algo diferente em 2022 mesmo, quando tivemos vários nomes na disputa dentro do nosso grupo. Então, tenho esperança de que isso ocorra, a união. Acho que o diálogo sempre venceu para que se faça união e vou fazer o possível e o impossível para que, quando chegue em janeiro ou fevereiro, no máximo, estejamos todos unidos dentro do mesmo propósito.

O lançamento da pré-candidatura do deputado estadual Pablo Roberto (PSDB) na semana passada pode atrapalhar esses planos?

Olha, eu acho que ano de 2023 é um ano pré-eleitoral. Então, as pessoas têm suas ideias, seus pensamentos e colocam em prática. Em 2024 é o ano da eleição, então entendo que são pensamentos diferentes nesse ano pré-eleitoral. Pablo é um jovem, não tem nem 40 anos ainda, foi vereador, está no primeiro mandato de deputado estadual, é uma pessoa inteligente. Com certeza ele está ouvindo também por onde está passando. Então, eu entendo e defendo o diálogo. Eu acho que esse restante de outubro, novembro e dezembro é um período de ouvir, escutar e de debater essas coisas internamente. Eu acho que é um período em que todos têm a oportunidade de se expressar, de colocar seus desejos, mas acho que a partir de janeiro e no máximo fevereiro chegará o momento de termos todos de tomar decisões. Eu espero que esse diálogo exista e que todos estejam abertos a sentar e conversar e decidir tudo. Vou esgotar todas as possibilidades de conversas para estamos unidos em Feira.

Aliados como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) defendem a sua candidatura?

Olha, eu tenho amizade a todas essas pessoas. Apoios são importantes, tanto de partidos quanto de líderes políticos. Mas Feira de Santana é uma cidade que tem uma história que recebe a todos de maneira extraordinária, inclusive a mim. Então, todo mundo é muito bem-vindo e todo apoio é bem-vindo. Quanto mais pessoas participarem desse processo, melhor, e dialogarei em busca da união melhor. Isso é importante.

“Wagner nunca veio a Feira para eu não o receber”

O atual prefeito de Feira tem uma relação difícil e marcada por críticas aos governos petistas no Estado. Como vai ser a sua relação, caso seja candidato e volte a ser prefeito?

Fui prefeito várias vezes. Fui deputado também, e sempre convivi bem com todos os segmentos da sociedade. Quando fui deputado estadual, fui líder de governo e sempre tratei muito bem a oposição, honrando todos os meus compromissos. Quando eu dava a palavra, eu cumpria. Então, sempre tive uma boa relação também com todos do mundo político. Fui prefeito em governos de Paulo Souto, César Borges e do atual senador Jaques Wagner e sempre tivemos relações respeitosas. Wagner nunca veio a Feira para eu não o receber. Em Brasília, como prefeito, também sempre tive boas relações com os governos Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT). Quando conseguia ações do governo federal, sempre fiz questão de reconhecer isso. Se eu vier a ser candidato a prefeito e vencer a eleição, não tenho a menor dúvida de que vou buscar Jerônimo para que possamos fazer o melhor por Feira.

Houve de fato convite de partidos da base do governador, a exemplo do PSD ou do Avante, para que o senhor deixasse o União Brasil e mudasse de lado?

Não, na verdade o que houve foram muitas especulações que não são verdadeiras.

Como o senhor avalia o posicionamento de lideranças do União Brasil, que tem três ministérios no governo Lula, de aproximação com o PT?

Olha, eu acho que a política brasileira mudou muito radicalmente. Então, acho que não tem nenhum partido hoje no Brasil que não faça esse tipo de trabalho. E há influência enorme disso que começa no Congresso Nacional, na política estadual e na municipal. Isso hoje no Brasil virou uma rotina. É diferente na política EUA, da Inglaterra, da França.

Como está a sua relação hoje com ACM Neto?

Tranquila. Ele esteve recentemente em Feira de Santana num evento da Fundação Índigo e eu estava lá presente e participando.

As mágoas de 2022 foram superadas?

Foi tudo superado em 2022 mesmo. Houve momentos de contrariedade imensa, muito forte, não se pode esconder isso, mas foi superado lá atrás mesmo.

ACM Neto é o nome natural da oposição para concorrer novamente ao governo em 2026?

Acho prematuro discutir esse assunto. Primeiro tem 2024. Vamos discutir primeiro 2024 e depois tratar de 2026. Não é inteligente tratar desse assunto agora.

Exclusiva Política Livre.

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