No Jornal Nacional, Lula e Ciro falam 5 minutos a mais que Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) falou cinco minutos a menos que seus adversários de campanha durante série de entrevistas ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta semana. A sabatina do candidato à reeleição registrou mais interrupções de ambas as partes se comparada com as de Ciro Gomes (PDT) e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A entrevista de Bolsonaro teve momentos tensos, em que ele interrompeu e foi interrompido pelos âncoras do jornal William Bonner e Renata Vasconcellos. O presidente mentiu durante a sabatina e teve informações contestadas sobre ações na pandemia e ao negar que tivesse xingado ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

A reportagem analisou as entrevistas dos três candidatos que aparecem à frente na última pesquisa de intenção de votos do Datafolha —de Bolsonaro, na segunda, Ciro, na terça, e Lula, nesta quinta. Todas as interrupções, tanto dos âncoras quanto dos presidenciáveis, foram registradas, juntamente ao tema abordado no momento da interrupção.

Foram considerados cortes os momentos em que um dos participantes –tanto o convidado, quanto os apresentadores– sobrepôs sua voz à do outro no intuito de interromper a fala, e obteve êxito.

Bolsonaro teve 24 minutos e 23 segundos de fala, tempo menor se comparado com o de Ciro Gomes (30 minutos e um segundo) e o de Lula (30 minutos e sete segundos).

A entrevista do presidente teve mais interrupções. Foram 105 no total, sendo que quase metade (48) partiu do candidato, o campeão no quesito. A sabatina de Ciro teve 27 interrupções ao longo dos 40 minutos, e a de Lula, 43 no total.

Bolsonaro ficou tenso nos primeiros minutos da entrevista. Ao ser questionado sobre suas intenções com ataques feitos a ministros do STF e ao sistema eleitoral brasileiro, rebateu dizendo se tratar de notícias falsas.

“Primeiro: você não está falando a verdade quando fala ‘xingar ministros’. Não existe. Isso não existe, é um fake news da sua parte”, foram as primeiras palavras de Bolsonaro se dirigindo a Bonner.

No ano passado, Bolsonaro chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha”. Além disso, diante de apoiadores, xingou o ministro Luís Roberto Barroso de “filho da puta”.

O presidente também levantou diversas vezes dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas, citando hipóteses que foram rebatidas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e pela Polícia Federal.

Os temas mais discutidos durante a sabatina de Bolsonaro foram as eleições e a possibilidade de golpe contra a democracia —este último ocupou oito minutos da entrevista.

A entrevista de Ciro Gomes teve 27 interrupções no total. Os temas mais abordados foram o meio ambiente, com 8 minutos de discussão, e o compromisso do candidato de não concorrer à reeleição, que demandou 6 minutos e 30 segundos do debate. A estratégia de coalizão com o Congresso também foi foco de perguntas, com 5 minutos e 30 segundos.

Durante o debate sobre temas ambientais houve 11 interrupções. Depois, vieram o compromisso de não concorrer à reeleição, com 5 interrupções, e a dificuldade de união interna do PDT, também somando 5.

A corrupção foi o tema por mais tempo discutido na entrevista com Lula. O candidato do PT ouviu questionamentos sobre medidas para evitar novos escândalos e acerca da independência de instituições como a Procuradoria-Geral da República, por exemplo.

Lula admitiu desvios na Petrobras em governos petistas e criticou a Lava Jato, afirmando que as operações provocaram prejuízos econômicos para o Brasil. O tema corrupção ocupou 14 minutos e 8 segundos, mais de um terço do tempo da entrevista. A série com os presidenciáveis no Jornal Nacional tem o mesmo formato para todos os quatro candidatos convidados —Simone Tebet (MDB) será ouvida nesta sexta. Eles respondem a perguntas sobre vários temas em 40 minutos e têm mais um minuto para considerações finais.

Os dados apontam ainda que o apresentador William Bonner teve tempo médio de fala de aproximadamente oito minutos durante as entrevistas, e Renata, de quatro minutos.

Nesta sexta, Bolsonaro usou as redes sociais para afirmar que “compreende perfeitamente a Globo tratar melhor aqueles que estão dispostos a pagar mais”. Sem citar diretamente o petista, que é seu principal adversário nas eleições deste ano, o mandatário disse que “eles são a esperança de dias melhores para a emissora”.

Logo após a entrevista de Lula, na quinta-feira (25), diversos ministros do governo e aliados do presidente afirmaram que os entrevistadores William Bonner e Renata Vasconcellos foram mais duros com Bolsonaro do que com Lula.

Matheus Tupina/Renan Marra/Folhapress

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