
A Polícia Federal (PF) identificou seis empresas ligadas a familiares do senador Jaques Wagner (PT-BA) durante as investigações que apuram um suposto esquema de favorecimento ao Banco Master. As informações constam em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, o senador passou a ser investigado sob a suspeita de ter recebido vantagens indevidas em troca de apoio político e atuação parlamentar favorável aos interesses da instituição financeira. Até o momento, não há condenação, e o caso segue em fase de investigação.
De acordo com o relatório, os investigadores sustentam que parte dos supostos benefícios teria sido direcionada por meio de empresas, fundos de investimento e terceiros ligados ao núcleo familiar do parlamentar, numa tentativa de evitar vínculo direto com o beneficiário. Entre as empresas citadas está a BN Financeira, sediada na Bahia, que tem como sócia Bonnie Toaldo de Bonilha, esposa de Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner.
A PF afirma que, durante a análise do celular de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, foram encontradas conversas sobre supostas “obrigações financeiras” assumidas com a BN Financeira. Segundo o relatório, os investigadores identificaram um pagamento de R$ 3,5 milhões destinado à BN Financeira após cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Lima. A transferência teria sido realizada pela empresa PKL One Participações, responsável pela operação do produto CredCesta e administrada por Andrea Lima Novaes, prima de Augusto Lima.
Outras empresas:
Além da BN Financeira, a PF também colocou sob análise outras empresas ligadas ao núcleo familiar do senador.
Uma delas é a BN Representações Tecnológicas, originalmente criada em 2019 como Vamos Florir Comércio de Flores, voltada ao comércio varejista de plantas e flores naturais. Conforme a investigação, a empresa foi fundada por Eduardo Sodré e Bonnie Toaldo e, em janeiro deste ano, alterou sua razão social e passou a atuar no segmento de tecnologia da informação.
Eduardo Sodré também figura como sócio do escritório Moises Dantas, Rocha e N’atharde Advogados Associados, além da empresa Sodré Martins Serviços Administrativos, na qual divide a sociedade com seu pai, Guilherme Sodré Martins.
Guilherme também integra a GF4.15 Participações e Consultoria, sediada em São Paulo.
“Tio Guiga”
Nas mensagens analisadas pela Polícia Federal, Guilherme Sodré Martins aparece identificado pelo apelido “Tio Guiga”.
Segundo os investigadores, ele teria intermediado os primeiros contatos entre Jaques Wagner e Daniel Vorcaro. A PF afirma ainda que as conversas revelam uma relação de proximidade entre Guilherme, o senador e o banqueiro. O relatório também aponta uma correlação entre contatos mantidos por Vorcaro, Augusto Lima, Jaques Wagner e Guilherme Sodré Martins e discussões institucionais envolvendo interesses do Banco Master, entre eles a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Em um dos diálogos obtidos pela investigação, Daniel Vorcaro afirma a um jornalista que Jaques Wagner e outros integrantes do alto escalão do governo seriam favoráveis à operação.
Para a Polícia Federal, há indícios de que o apoio político investigado e os repasses financeiros ao núcleo familiar do senador possam estar relacionados. Essa conclusão, porém, faz parte da investigação em andamento e ainda será submetida ao contraditório e à análise do Poder Judiciário.
Até o momento, Jaques Wagner, seus familiares e os demais citados não foram condenados, e o espaço permanece aberto para manifestação das defesas.
Fonte: Informe Baiano.