
Eleito senador pela Bahia, o ex-governador Rui Costa (PT) poderá retornar à Esplanada dos Ministérios no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que começa em janeiro de 2027. A possibilidade mais discutida nos bastidores do governo é que o baiano assuma uma pasta na área de infraestrutura, com a missão de acelerar obras e acompanhar a execução de projetos estratégicos. Caso a nomeação se concretize, sua cadeira no Senado será ocupada pelo primeiro suplente, Ronaldo Carletto, presidente estadual do Avante.
Rui deixou a Casa Civil para disputar o Senado nas eleições de outubro, mas manteve influência no núcleo político do presidente, inclusive durante a campanha pela reeleição. Considerado um dos principais responsáveis pelo acompanhamento das obras do governo federal, o ex-governador coordenou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ganhou a reputação de gestor dedicado à execução de projetos. A expectativa é que Lula aproveite essa experiência para colocar Rui à frente de um ministério com perfil mais executivo, concentrado em investimentos, infraestrutura e entregas do governo. A mudança também permitiria ao presidente reorganizar o comando da Casa Civil, considerada a pasta mais importante da Esplanada.
Para o posto, um dos nomes mais fortes é o do ex-governador do Ceará Camilo Santana (PT), que comandou o estado entre 2015 e 2022 e ocupou o Ministério da Educação no terceiro mandato de Lula. Camilo é considerado uma liderança de confiança do presidente e reúne experiência administrativa e capacidade de articulação política. Principalmente no segundo turno, ele participou ativamente da campanha presidencial. Ampla negociação – A formação do quarto governo Lula deverá envolver uma ampla negociação com os partidos do centro político, especialmente diante da composição do Congresso Nacional. No terceiro mandato, o presidente distribuiu ministérios a legendas como PP, União Brasil, MDB, PSD e Republicanos, numa tentativa de assegurar governabilidade. Por isso, empregou lideranças ligadas ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União). A estratégia, entretanto, não impediu sucessivos embates com o Legislativo.
Agora, a tendência é que Lula procure preservar essa composição, inclusive abrindo espaço para representantes de partidos que apoiaram formalmente Flávio Bolsonaro no segundo turno, mas que mantiveram setores alinhados ao governo federal. É o caso de alas do MDB e do PSD, além de lideranças nordestinas do Republicanos, PP e União Brasil. Nesse processo, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), deverão exercer influência sobre a formação da equipe. Lula tende a trabalhar pela recondução dos dois ao comando das respectivas Casas, buscando construir uma relação menos conflituosa com o Congresso.
Outro nome que poderá ganhar espaço é Guilherme Boulos (PSOL-SP), atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. O ex-deputado federal teve participação ativa na campanha pela reeleição de Lula, especialmente na mobilização da militância e dos movimentos sociais. Sua permanência no governo é considerada provável, embora não esteja descartada uma mudança de função. A derrota de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo também deverá pesar nas decisões de Lula. Ex-ministro da Fazenda, Haddad era considerado um dos nomes mais fortes para ocupar a Casa Civil, mas perdeu espaço nas articulações após o resultado eleitoral.
Embora ainda possa ser aproveitado em alguma função estratégica, o petista já não aparece com a mesma força de antes, enquanto Camilo Santana desponta como favorito para assumir a coordenação do governo. Na equipe econômica, a principal indefinição envolve o Ministério da Fazenda. Uma ala do governo defende a permanência de Dario Durigan, enquanto outros setores trabalham com a possibilidade de nomeação de Bruno Moretti, atual ministro do Planejamento, que mantém boa interlocução com o Congresso e proximidade com Lula.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também aparece entre os nomes lembrados para uma função de destaque na área econômica. Sua eventual escolha seria interpretada como um sinal de compromisso com o equilíbrio fiscal e a articulação com o setor produtivo. Outros ministros bem avaliados poderão continuar no governo, ainda que em funções diferentes, como Esther Dweck, da Gestão, Leonardo Barchini, da Educação, e Fernanda Machiaveli, do Desenvolvimento Agrário. Lula também poderá aproveitar aliados derrotados nas eleições, entre eles Gleisi Hoffmann (PT-PR) e José Guimarães (PT-CE).
Outra mudança em discussão é a criação do Ministério da Segurança Pública, promessa feita por Lula durante a campanha. A iniciativa depende da aprovação da PEC da Segurança Pública, ainda em tramitação no Senado. Entre os nomes lembrados para a nova pasta está Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública.
A primeira-dama Janja da Silva também deverá participar das conversas sobre a composição do governo, especialmente nas áreas de Cultura, Mulheres, Igualdade Racial e na estrutura de assessoramento direto à Presidência. Coube a ela, na primeira gestão de Lula, a escolha da ministra da Cultura, a baiana Margareth Menezes.
Os outros ministros baianos na Esplanada são o da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, e o da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, alvo de diversas críticas durante a campanha. Aliados do presidente apostam em mudanças nas duas pastas.
Política Livre.